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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Para Ti 

 

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo.

 

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre.

 

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.

 

Mia Couto, in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

publicado por Raquel às 23:49
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Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Nascemos para Amar 

 

Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

 

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

 

Bocage, in Sonetos

publicado por Raquel às 19:45
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Domingo, 23 de Janeiro de 2011

Ternura 

 

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

 

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

 

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

 

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal

publicado por Raquel às 00:01
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Grita

 

Amor, quando chegares à minha fonte distante,

cuida para que não me morda tua voz de ilusão:

que minha dor obscura não morra nas tuas asas,

nem se me afogue a voz em tua garganta de ouro.

 

Quando chegares, Amor

à minha fonte distante,

sê chuva que estiola,

sê baixio que rompe.

 

Desfaz, Amor, o ritmo

destas águas tranquilas:

sabe ser a dor que estremece e que sofre,

sabe ser a angústia que se grita e retorce.

 

Não me dês o olvido.

Não me dês a ilusão.

Porque todas as folhas que na terra caíram

me deixaram de ouro aceso o coração.

 

Quando chegares, Amor

à minha fonte distante,

desvia-me as vertentes,

aperta-me as entranhas.

 

E uma destas tardes - Amor de mãos cruéis -,

ajoelhado, eu te darei graças.

 

Pablo Neruda, in Crepusculário

publicado por Raquel às 00:07
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Sábado, 23 de Outubro de 2010
publicado por Raquel às 14:02
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Teria passado a vida atormentado e sozinho

 

Teria passado a vida

atormentado e sozinho

se os sonhos me não viessem

mostrar qual é o caminho

 

umas vezes são de noite

outras em pleno de sol

com relâmpagos saltados

ou vagar de caracol

 

quem os manda não sei eu

se o nada que é tudo à vida

ou se eu os finjo a mim mesmo

para ser sem que decida.

 

Agostinho da Silva

seria bom se: andássemos todos acompanhados!
música: David Fonseca - It's just a dream
publicado por Raquel às 23:20
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Sábado, 17 de Julho de 2010

Alegres campos, verdes arvoredos

 

Alegres campos, verdes arvoredos,

Claras e frescas águas de cristal,

Que em vós os debuxais ao natural,

Discorrendo da altura dos rochedos;

 

Silvestres montes, ásperos penedos,

Compostos em concerto desigual:

Sabei que, sem licença de meu mal,

Já não podeis fazer meus olhos ledos.

 

E, pois me já não vedes como vistes,

Não me alegrem verduras deleitosas

Nem águas que correndo alegres vêm.

 

Semearei em vós lembranças tristes,

Regando-vos com lágrimas saudosas,

E nascerão saudades de meu bem.

 

Luís Vaz de Camões

 

***

 

Comparar-te a um dia de Verão

 

Comparar-te a um dia de Verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do verão que chega ao fim.
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.
Mas juro-te que o teu humano verão
será eterno; sempre crescerás
indiferente ao tempo na canção;
e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te verá respirar na minha lira.

 

William Shakespeare, in Sonetos

seria bom se: hoje fosse há 7 anos atrás...
música: Carlos Santana & Dave Matthews - Love of my life
publicado por Raquel às 22:30
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Quarta-feira, 14 de Julho de 2010

"O bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido nos móveis e na roupa, espera pacientemente nos quartos, nas caves, nas malas, nos lenços e na papelada. E sabia também que viria talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acordaria os seus ratos e os mandaria morrer numa cidade feliz."

 

Albert Camus

publicado por Raquel às 09:29
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

"É já tarde começar a viver hoje: o sábio começou ontem."

 

Marcial

seria bom se: vivesse mais!
música: David Fonseca - Our hearts will beat as one
publicado por Raquel às 11:50
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Segunda-feira, 12 de Abril de 2010
seria bom se: houvesse um todas as semanas!
música: David Fonseca
publicado por Raquel às 11:53
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