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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Para Ti 

 

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo.

 

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre.

 

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.

 

Mia Couto, in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

publicado por Raquel às 23:49
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

  

"A natureza e os livros pertencem aos olhos que os vêem."

 

Ralph Emerson

publicado por Raquel às 22:59
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Domingo, 19 de Outubro de 2008

Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aprender que beijos não são contratos, presentes não são promessas. E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos.
Aprendes que paciência requer muita prática. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento, condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes.
E, finalmente, aprendes que o tempo, não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga flores. E percebes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida!
E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!

 

William Shakespeare

publicado por Raquel às 19:14
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Sábado, 11 de Outubro de 2008

Os dias-talvez

 

É certo que o horizonte não é, senão, uma linha imaginária. Embora exista. E que o céu não é um promontório que fica sobre as nuvens (mesmo que pareça um braço de terra, impetuoso, que atravessa o pensamento). É certo que quase nada vale por aquilo que parece. E, no entanto, talvez o que pareça valha sobre o quase-nada que lhe falta para ser tudo aquilo que não é.

Nunca nascemos preparados para aquilo que parece. Pelos olhos dos nossos sentimentos, o mundo é branco ou preto, é bom ou mau, é escuro ou luminoso, colorido ou desbotado, fantástico ou tenebroso. Pelos olhos dos nossos sentimentos, existem dias-sim ou dias-não, mas os dias-talvez são, certamente, quem domina o nosso crescimento.

Os dias-talvez fazem-se de tudo aquilo que parece. Não são nem bons nem maus, nem escuros ou luminosos. São dias. Iguais aos outros. Não são nem fogosos nem pachorrentos. Nem curtos ou intermináveis. Nascem, como todos os dias, pela manhã, e adormecem, devidamente, com o pôr do Sol. Nos dias-talvez funciona-se, sem que se crie. Olha-se sem que se escute. Ouve-se mas não se vê. Nos dias-talvez as pessoas parecem felizes, mesmo que se tolerem. E são bondosas, apesar de maldizentes. São carinhosas, se bem que omissas. Atentas, quando - sobre tudo - sobressai a sua distracção. E argutas, mesmo que mal pensem por si. Nos dias-talvez o futuro curva-se ao destino, e a esperança aos ressentimentos que polvilham o passado. Nos dias-talvez não são as novas relações que nos dão um horizonte. Ou o céu. Nos dias-talvez chega-se ao amanhã depois de se arrumar, com método, tudo o que ficou, disperso, para trás.

Nunca nascemos preparados para aquilo que parece. Mas aquilo que parece é que domina o nosso crescimento. E quando, algures na nossa vida, perscrutamos pelo sim e pelo não dos nossos sentimentos e se vislumbram, sobretudo, os dias-talvez, o horizonte deixa de ser uma linha imaginária. Devagarinho, transforma-se num promontório que fica sobre as nuvens. O quase-nada que nos falta para sermos tudo aquilo que não somos parece distante e dispensável. E o céu passa a ser o horizonte de todos os talvez.

É certo que quase nada vale por aquilo que parece. E que, diante de tudo o que intuímos que falta ao que parece, todos nascemos pequenos. E assim permanecemos. É certo que, por vezes, aquilo que parece se sobrepõe (tanto e tanto) aos nossos sentimentos que, sobre a confusão de branco e de preto, ou de bem e de mal, parecemos grandes e seguros. Mas há um quase-nada que nos leva a escutar e a ver. Nos encaminha para a bondade e para o carinho. E nos torna atentos. Com esperança e com o futuro. Basta que, sobre tudo aquilo que parece, aquilo que sentimos encontre, no horizonte de alguém, o céu.

 

Eduardo Sá, in Notícias Magazine de 27 de Agosto de 2006

publicado por Raquel às 19:17
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Congresso de gaivotas neste céu

Como uma tampa azul colorindo o Tejo

Querela de aves, pios, escarcéu.

Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo? (não é meu...)

De algum quarto perdido no desejo?

De algum jovem amor que recebeu

Mandato de captura ou de despejo?

 

Alexandre O'Neill

publicado por Raquel às 19:50
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