I actually do...

Domingo, 17 de Julho de 2011

"Have you ever been in love? Horrible isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means that someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses, you build up a whole suit of armor, so that nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life... You give them a piece of you. They didn't ask for it. They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like 'maybe we should be just friends' turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love."

 

Neil Gaiman

publicado por Raquel às 15:24
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

Como é que se esquece alguém que se ama?

 

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

 

Miguel Esteves Cardoso, in Último Volume

publicado por Raquel às 23:06
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

De Que São Feitos os Dias?

 

De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.

 

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inactuais esperanças.

 

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

 

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...

 

Cecília Meireles, in Canções

publicado por Raquel às 20:48
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Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Nascemos para Amar 

 

Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

 

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

 

Bocage, in Sonetos

publicado por Raquel às 19:45
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Domingo, 23 de Janeiro de 2011

Ternura 

 

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

 

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

 

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

 

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal

publicado por Raquel às 00:01
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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

"A amizade é semelhante a um bom café, uma vez frio, não aquece sem perder o primeiro sabor."

 

Kant

publicado por Raquel às 23:27
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Grita

 

Amor, quando chegares à minha fonte distante,

cuida para que não me morda tua voz de ilusão:

que minha dor obscura não morra nas tuas asas,

nem se me afogue a voz em tua garganta de ouro.

 

Quando chegares, Amor

à minha fonte distante,

sê chuva que estiola,

sê baixio que rompe.

 

Desfaz, Amor, o ritmo

destas águas tranquilas:

sabe ser a dor que estremece e que sofre,

sabe ser a angústia que se grita e retorce.

 

Não me dês o olvido.

Não me dês a ilusão.

Porque todas as folhas que na terra caíram

me deixaram de ouro aceso o coração.

 

Quando chegares, Amor

à minha fonte distante,

desvia-me as vertentes,

aperta-me as entranhas.

 

E uma destas tardes - Amor de mãos cruéis -,

ajoelhado, eu te darei graças.

 

Pablo Neruda, in Crepusculário

publicado por Raquel às 00:07
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Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Soneto do Cativo

 

Se é sem dúvida Amor esta explosão

de tantas sensações contraditórias;

a sórdida mistura das memórias,

tão longe da verdade e da invenção;

 

o espelho deformante; a profusão

de frases insensatas, incensórias;

a cúmplice partilha nas histórias

do que os outros dirão ou não dirão;

 

se é sem dúvida Amor a cobardia

de buscar nos lençóis a mais sombria

razão de encantamento e de desprezo;

 

não há dúvida, Amor, que te não fujo

e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,

tenho vivido eternamente preso!

 

David Mourão-Ferreira, in Obra Poética

seria bom se: encontrasse o que procuro!
música: U2 - I still haven't found what I'm looking for
publicado por Raquel às 22:33
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Este inferno de amar

 

Este inferno de amar - como eu amo! -

Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?

Esta chama que alenta e consome,

Que é a vida - e que a vida destrói -

Como é que se veio a atear,

Quando - ai quando se há-de ela apagar?

 

Eu não sei, não me lembra: o passado,

A outra vida que dantes vivi

Era um sonho talvez... - foi um sonho -

Em que paz tão serena a dormi!

Oh! que doce era aquele sonhar...

Quem me veio, ai de mim! despertar?

 

Só me lembra que um dia formoso

Eu passei... dava o sol tanta luz!

E os meus olhos, que vagos giravam,

Em seus olhos ardentes os pus.

Que fez ela? eu que fiz? - Não o sei;

Mas nessa hora a viver comecei...

 

Almeida Garrett, in Folhas Caídas

seria bom se: encontrasse o que procuro!
música: U2 - I still haven't found what I'm looking for
publicado por Raquel às 00:12
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Domingo, 14 de Novembro de 2010

As sem razões do amor

 

Eu te amo porque te amo.

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

 

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

 

Eu te amo porque não amo

bastante ou de mais a mim.

Porque amor não se troca,

não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

 

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem (e matam)

a cada instante de amor.

 

Carlos Drummond de Andrade, in O Corpo

seria bom se: encontrasse o que procuro!
música: U2 - I still haven't found what I'm looking for
publicado por Raquel às 21:09
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Pois é... O Kant e o Cícero sabiam muito destas co...
Não ligues ao que essa senhora diz, a sério...
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