I actually do...

Domingo, 17 de Julho de 2011

"Have you ever been in love? Horrible isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means that someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses, you build up a whole suit of armor, so that nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life... You give them a piece of you. They didn't ask for it. They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like 'maybe we should be just friends' turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love."

 

Neil Gaiman

publicado por Raquel às 15:24
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011

"Bigamy is having one wife too many. Monogamy is the same."

 

Oscar Wilde

seria bom se: se se aprendesse.
música: James Morrison - Please don't stop the rain
publicado por Raquel às 23:20
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Terça-feira, 29 de Março de 2011

Adeus

 

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

 

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

 

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

 

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

 

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

 

Adeus.
 

 

Eugénio de Andrade

 

(Espero que seja a última vez que publico este poema... Pelo menos que os motivos nunca mais sejam os mesmos.)

 

***

 

"Cometem-se muito mais traições por fraqueza do que em consequência de um forte desejo de trair."

 

François La Rochefoucauld

publicado por Raquel às 17:58
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Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Para Ti 

 

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo.

 

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre.

 

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.

 

Mia Couto, in Raiz de Orvalho e Outros Poemas

publicado por Raquel às 23:49
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Domingo, 23 de Janeiro de 2011

Ternura 

 

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

 

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

 

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

 

David Mourão-Ferreira, in Infinito Pessoal

publicado por Raquel às 00:01
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Grita

 

Amor, quando chegares à minha fonte distante,

cuida para que não me morda tua voz de ilusão:

que minha dor obscura não morra nas tuas asas,

nem se me afogue a voz em tua garganta de ouro.

 

Quando chegares, Amor

à minha fonte distante,

sê chuva que estiola,

sê baixio que rompe.

 

Desfaz, Amor, o ritmo

destas águas tranquilas:

sabe ser a dor que estremece e que sofre,

sabe ser a angústia que se grita e retorce.

 

Não me dês o olvido.

Não me dês a ilusão.

Porque todas as folhas que na terra caíram

me deixaram de ouro aceso o coração.

 

Quando chegares, Amor

à minha fonte distante,

desvia-me as vertentes,

aperta-me as entranhas.

 

E uma destas tardes - Amor de mãos cruéis -,

ajoelhado, eu te darei graças.

 

Pablo Neruda, in Crepusculário

publicado por Raquel às 00:07
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Sábado, 23 de Outubro de 2010
publicado por Raquel às 14:02
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Domingo, 10 de Outubro de 2010

Como queiras, Amor...

 

Como queiras, Amor, como tu queiras.

Entregue a ti, a tudo me abandono,

seguro e certo, num terror tranquilo.

A tudo quanto espero e quanto temo,

entregue a ti, Amor, eu me dedico.

 

Nada há que eu não conheça, que eu não saiba,

e nada, não, ainda há por que eu não espere

como de quem ser vida é ter destino.

 

As pequeninas coisas da maldade, a fria

tão tenebrosa divisão do medo

em que os homens se mordem com rosnidos

de malcontente crueldade imunda,

eu sei quanto me aguarda, me deseja,

e sei até quanto ela a mim me atrai.

 

Como queiras, Amor, como tu queiras.

De frágil que és, não poderás salvar-me.

Tua nobreza, essa ternura tépida

quais olhos marejados, carne entreaberta,

será só escárneo, ou, pior, um vão sorriso

em lábios que se fecham como olhares de raiva.

Não poderás salvar-me, nem salvar-te.

Apenas como queiras ficaremos vivos.

 

Será mais duro que morrer, talvez.

Entregue a ti, porém, eu me dedico

àquele amor por qual fui homem, posse

e uma tão extrema sujeição de tudo.

 

Como tu queiras, meu Amor, como tu queiras.

 

Jorge de Sena, in Post-Scriptum

publicado por Raquel às 21:06
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Domingo, 3 de Outubro de 2010

O tempo não passa no abismo do coração

 

O tempo passa? Não passa

no abismo do coração.

Lá dentro, perdura a graça

do amor, florindo em canção.

 

O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz

a um só verso e uma rima

de mãos e olhos, na luz.

 

Não há tempo consumido

nem tempo a economizar.

O tempo é todo vestido

de amor e tempo de amar.

 

O meu tempo e o teu, amada,

transcendem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,

amar é o sumo da vida.

 

São mitos de calendário

tanto o ontem como o agora,

e o teu aniversário

é um nascer toda a hora.

 

E nosso amor, que brotou

do tempo, não tem idade,

pois só quem ama

escutou o apelo da eternidade.

 

Carlos Drummond de Andrade, in Amar se Aprende Amando

publicado por Raquel às 21:17
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

"Quando a alma, ao termo de mil hesitações e desenganos, cravou as raízes para sempre num ideal de amor e de verdade, podem calcá-la e torturá-la, podem-na ferir e ensanguentar, que quanto mais a calcam, mais ela penetra no seio ardente que deseja."

 

Guerra Junqueiro

publicado por Raquel às 14:00
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Pois é... O Kant e o Cícero sabiam muito destas co...
Não ligues ao que essa senhora diz, a sério...
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