I actually do...

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

(...) A câmara continua a recuar, e vemos os dois a dormir na cama. O despertador toca, e a mulher salta da cama enquanto Apu solta uns gemidos de protesto e enterra a cabeça na almofada. Objecto número três: o sari dela. Quando ela sai da cama e começa a afastar-se, dá-se conta, de súbito, que não consegue mexer-se - porque as suas roupas estão presas às de Apu. Muito estranho. Quem poderá ter feito isto - e porquê? Pela expressão dela, vemos que se sente simultaneamente irritada e divertida e, de imediato, ficamos a saber que o responsável é Apu. Ela volta à cama, dá-lhe um palmada - suave - no rabo, e depois desata o nó. O que é que este momento me diz? Que eles estão a dar-se bem em termos de sexo, que se desenvolveu entre eles um humor cúmplice, um desejo de brincadeira, um gosto pelo jogo - enfim, que eles estão verdadeiramente casados. Mas - e quanto ao amor? Eles parecem felizes com a vida que levam, mas até que ponto é que os sentimentos que os ligam são realmente fortes? (...)

 

Paul Auster, in Homem na Escuridão [pp. 23]

publicado por Raquel às 10:33
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