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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

18

Aqui te amo...

 

Aqui te amo.

Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento.

A lua fosforesce sobre as água errantes.

Andam dias iguais a perseguir-se.

 

Desaperta-se a névoa em dançantes figuras.

Uma gaivota de prata desprende-se do ocaso.

Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.

Sozinho.

 

Às vezes amanheço, e até a alma está húmida.

Soa, ressoa o mar ao longe.

Este é um porto.

Aqui te amo.

 

Pablo Neruda, in Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada

publicado por Raquel às 14:10
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"e até a alma está húmida..." *
Catarina Correia a 21 de Julho de 2010 às 17:01


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