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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

13

Eu fui marcando...

 

Eu fui marcando com cruzes de fogo

o atlas branco do teu corpo.

A boca era uma aranha que corria a esconder-se.

Em ti, atrás de ti, temerosa, sedenta.

 

Histórias para contar-te à beira do crespúsculo

boneca triste e meiga, para que não estivesses triste.

Um cisne, uma árvore, algo longínquo e alegre.

O tempo da vindima, o tempo maduro e frutífero.

 

Eu que vivi num porto que era de onde te amava.

A solidão percorrida de sonho e de silêncio.

Encurralado entre o mar e a tristeza.

Calado, delirante, entre dois gondoleiros imóveis.

 

Pablo Neruda, in Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada

publicado por Raquel às 11:55
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