I actually do...

Sexta-feira, 19 de Março de 2010

O Pai 

 

Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

 

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

 

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

 

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

 

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

 

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

 

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

 

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

 

Pablo Neruda, in "Crepusculário" 

 

***

 

"Se tu soubesses, quando deixamos de ter os nossos velhos, até que ponto lamentamos não lhes havermos dado mais do nosso tempo."


Alphonse Daudet

seria bom se: ainda se celebrasse esta...
música: Frank Sinatra - Smile
publicado por Raquel às 11:52
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