I actually do...

Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

O que há em mim é sobretudo cansaço

 

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

 

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

 

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

 

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

 

Álvaro de Campos

seria bom se: se tivesse mais tempo!
música: Vaya con Dios - Farewell song
publicado por Raquel às 11:16
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

"Dizem que o tempo sara todas as feridas. Talvez seja verdade. Mas há feridas que parecem não sarar. Sangram, vertem pus, voltam a sangrar, surpreendem-nos a magoar a alma quando esta já deveria estar habituada e imune a tanta dor. É certo que, às vezes, essas feridas acalmam, como as marés que recolhem a água e recuam para o mar alto; mas, tal como as marés, regressam depois, revigoradas, pujantes, invadindo de novo a praia e fazendo sentir o fulgor da sua presença, o ímpeto do seu regresso.

Paulino Jesus da Conceição tinha uma dessas feridas. Sentia-a por vezes a apertar-lhe o pescoço até quase não conseguir respirar, sentia-a dentro de si em parte incerta, ora na cabeça, ora no coração, ora no ventre, ora nos pulmões. Sentia-a nas pernas e nos olhos. Sabia que ela estava dentro de si, mas, se lhe perguntassem onde se encontrava exactamente, não saberia responder. Ou melhor, sabia; no fundo, no fundo, sabia bem onde encontrá-la. Estava na memória, escondia-se no passado, um passado que desesperadamente se esforçava por romper pelo presente, agarrando-se a Paulino como se ele fosse a sua tábua de salvação, a sua resposta à terrível angústia do esquecimento, do desaparecimento, do eterno silêncio. Mas Paulino sabia que esta ferida jamais cicatrizaria. Podia talvez dar um momento de descanso, distrair-se, ir dormir a sesta, mas à primeira oportunidade lá estava ela, voltava sempre, regressava para torturar o homem que a trazia dentro de si, arrastando-o para um estado de febril demência que se apossava da sua alma e o conduzia ao desespero. (...)"

 

José Rodrigues dos Santos, in A Ilha das Trevas (pp. 13-14)

seria bom se: o tempo voasse!
música: Eric Clapton - Tears in Heaven
publicado por Raquel às 22:38
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

 

 

Há coisas fantásticas, não há?!

publicado por Raquel às 21:34
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

"Sobre presunções não assenta bem alguma condenação de direito, principalmente quando é grave."

 

Padre António Vieira

 

(E sobre factos provados o que é que assenta bem? Aparentemente é uma reeleição...)

seria bom se: os munícipes tivessem juízo!
música: Everlast featuring Santana - Put your lights on
publicado por Raquel às 11:18
link do post | comentar | favorito

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

"Os bons pensamentos produzem bons frutos, os maus pensamentos produzem maus frutos... e o homem é o seu próprio jardineiro."

 

James Allen

seria bom se: os ramos fossem mais fortes!
música: Eurythmics - Sweet dreams
publicado por Raquel às 11:43
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Lágrimas ocultas

 

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

 

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

 

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

 

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

 

Florbela Espanca

seria bom se: eu percebesse sempre.
música: James Morrison feat. Nelly Furtado - Broken strings
publicado por Raquel às 23:19
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
13
14
15
16
17

18
20
21
22
23
24

25
27
28
29
31


últ. comentários
Gostei. Muito!
Pois é... O Kant e o Cícero sabiam muito destas co...
Não ligues ao que essa senhora diz, a sério...
"Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei....
"e até a alma está húmida..." *
Florbela, será pedir assim tanto?...
Apenas dar por dar.
Digo e repito-me...Don't be like that, dear friend...
Dona Raquel, dona Raquel...Precisamos as duas de a...
Também tenho saudades dessas, todos os dias...E é ...
subscrever feeds

blogs SAPO


Universidade de Aveiro