I actually do...

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

(...) Levantou-se e abandonou o posto, seguindo em passo firme para a ronda da tarde. Mas a certeza de que iria provar a diferença foi-se esbatendo à medida que caminhava e reflectia sobre o pouco que sabia de si. Bem lá no íntimo não fazia ideia de como quebrar o medo que lhe tolhia os movimentos nos instantes de puro terror. Tinha consciência de que uma coisa era falar e outra executar, sabia que, nos momentos de aflição, as suas reacções eram imprevisíveis e incontroláveis, a emoção toma conta da mente e a animalidade sobrepõe-se à humanidade. Quantos homens que passavam a vida a falar de heroísmo e a preparar-se para o grande teste não fraquejavam quando o momento chegava, enquanto outros, tímidos e calados, na hora das dificuldades tudo pareciam superar. O que era afinal a temeridade senão fingimento? O que era a coragem senão o medo de se ser considerado cobarde? O que era o heroísmo senão um acto resultante do medo social que se sobrepõe ao medo animal? E o que era a bravura senão um momento de pura loucura, um gesto insano feito para benefício alheio e prejuízo nosso? (...)

 

José Rodrigues dos Santos, in A Filha do Capitão (pp. 434)

 

seria bom se:
música: Ala dos Namorados - Há dias em que mais vale
publicado por Raquel às 20:14
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